"Milhões
para o mensalão - 0,1% para o servidor"
Em
greve há 25 dias, funcionários públicos protestam
contra a corrupção na Esplanada dos Ministérios,
cobram reposição salarial e acusam o governo de transformar
a máquina administrativa em
“balcão de negócios”
Em greve
desde o dia 2 de junho, cerca de 10 mil servidores públicos federais
realizaram na última quarta-feira (22/6) manifestação
na Esplanada dos Ministérios contra a corrupção
e em defesa do reajuste salarial para a categoria. Eles reivin-dicam
18% de reposição emergencial, incorporação
de gratificações, paridade entre ativos, aposentados e
pensionistas, reestruturação dos planos de carreira e
a realização de novos concur-sos públicos. O ANDES-SN
marcou presença na marcha.
A greve, na avaliação dos sindicalistas, está forte
e isso se deve, em parte, à adesão dos servidores do Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS). Sob ameaça de terem o ponto
cortado, os sindicalistas reclamam do excesso de centralização
do governo nas negociações. Eles querem que cada ministério
— e não apenas o do Planejamento — negocie com as
categorias.
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Servidores durante marcha em
Brasília. O diretor da ADUFU-SS e professor da Estes, Lindolfo
Gonçalves Cabral participou do evento na semana passada
(22/06) |
Na passeata na Esplanada dos Ministérios, os servido-res protestaram
contra a corrupção no governo e pediram uma rigorosa apuração
das denúncias feitas pelo deputado federal Roberto Jefferson.
A marcha atraiu a participação de mulheres de militares,
além de parlamentares do PSOL. Com baldes, vas-souras, rodos,
água e sabão, os manifestantes lavaram a rampa do Palácio
do Planalto e a entrada do Ministério da Justiça e criticaram
o governo com refrões como: “Lula, Lula Lula, você
é um ladrão, pegou o meu salário para pagar o mensalão”.
Bandeiras, apitos e faixas com dizeres como “0,1% para o servidor,
R$ 30 mil para o mensalão” demonstravam a indignação
com a corrupção e a necessidade de avisar ao país
que é preciso tirar o serviço público do “balcão
de negócios” em que foi transformado pelos governantes.
Em frente ao Ministério da Justiça, foi realizado um ato
público. O senador Ge-raldo Mesquita (PSOL-AC) acusou o governo
de corrupção e disse acreditar que esse movimento junta
duas coisas prioritárias no país: “a reivindicação
justa com o sentimento de indignação em relação
ao governo”. Os servidores usaram o espelho d’água
da frente do ministério como fonte para pegar a água e
“lavar” a entrada do prédio.
A lavagem da rampa do Congresso Nacional foi feita pelos parlamentares.
A senadora Heloisa Helena (PSOL-AL) disse que o ato “foi uma forma
de mostrar o repúdio a todas as formas de corrupção,
embora saiba-mos que não há produção de
sabão em pó que lave toda a sujeira existente hoje no
Planalto e no Congresso Nacional”, disse.
Além dela, participaram os correligionários Babá
(PA) e Luciana Genro (RS), além de parlamentares de outros partidos.
As mulheres de militares, que estão acampadas há mais
de um mês na Esplanada dos Ministérios, se engajaram no
protesto. “Há dez anos, quando os funcionários públicos
eram vinculados aos militares, eles nos apoiavam, por isso estamos aqui”,
explicou a vice-presidente da Associação Nacional das
Esposas de Militares das Forças Armadas (Anemfa).