Página 07


EDIÇÃO: 207
Uberlândia,
29/06/05 a 06/07/05

Escolha a página
[Página 01] [Página 02]
[Página 03] [Página 04]
[Página 05] [Página 06]
[Página 07] [Página 08]


ATIVIDADES EM BRASÍLIA

"Milhões para o mensalão - 0,1% para o servidor"

Em greve há 25 dias, funcionários públicos protestam contra a corrupção na Esplanada dos Ministérios, cobram reposição salarial e acusam o governo de transformar a máquina administrativa em
“balcão de negócios”

Em greve desde o dia 2 de junho, cerca de 10 mil servidores públicos federais realizaram na última quarta-feira (22/6) manifestação na Esplanada dos Ministérios contra a corrupção e em defesa do reajuste salarial para a categoria. Eles reivin-dicam 18% de reposição emergencial, incorporação de gratificações, paridade entre ativos, aposentados e pensionistas, reestruturação dos planos de carreira e a realização de novos concur-sos públicos. O ANDES-SN marcou presença na marcha.
A greve, na avaliação dos sindicalistas, está forte e isso se deve, em parte, à adesão dos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Sob ameaça de terem o ponto cortado, os sindicalistas reclamam do excesso de centralização do governo nas negociações. Eles querem que cada ministério — e não apenas o do Planejamento — negocie com as categorias.

 
Servidores durante marcha em Brasília. O diretor da ADUFU-SS e professor da Estes, Lindolfo Gonçalves Cabral participou do evento na semana passada (22/06)



Na passeata na Esplanada dos Ministérios, os servido-res protestaram contra a corrupção no governo e pediram uma rigorosa apuração das denúncias feitas pelo deputado federal Roberto Jefferson.

A marcha atraiu a participação de mulheres de militares, além de parlamentares do PSOL. Com baldes, vas-souras, rodos, água e sabão, os manifestantes lavaram a rampa do Palácio do Planalto e a entrada do Ministério da Justiça e criticaram o governo com refrões como: “Lula, Lula Lula, você é um ladrão, pegou o meu salário para pagar o mensalão”.

Bandeiras, apitos e faixas com dizeres como “0,1% para o servidor, R$ 30 mil para o mensalão” demonstravam a indignação com a corrupção e a necessidade de avisar ao país que é preciso tirar o serviço público do “balcão de negócios” em que foi transformado pelos governantes.
Em frente ao Ministério da Justiça, foi realizado um ato público. O senador Ge-raldo Mesquita (PSOL-AC) acusou o governo de corrupção e disse acreditar que esse movimento junta duas coisas prioritárias no país: “a reivindicação justa com o sentimento de indignação em relação ao governo”. Os servidores usaram o espelho d’água da frente do ministério como fonte para pegar a água e “lavar” a entrada do prédio.

A lavagem da rampa do Congresso Nacional foi feita pelos parlamentares. A senadora Heloisa Helena (PSOL-AL) disse que o ato “foi uma forma de mostrar o repúdio a todas as formas de corrupção, embora saiba-mos que não há produção de sabão em pó que lave toda a sujeira existente hoje no Planalto e no Congresso Nacional”, disse.


Além dela, participaram os correligionários Babá (PA) e Luciana Genro (RS), além de parlamentares de outros partidos. As mulheres de militares, que estão acampadas há mais de um mês na Esplanada dos Ministérios, se engajaram no protesto. “Há dez anos, quando os funcionários públicos eram vinculados aos militares, eles nos apoiavam, por isso estamos aqui”, explicou a vice-presidente da Associação Nacional das Esposas de Militares das Forças Armadas (Anemfa).

|Página 01| Página 02|Página 03| Página 04|Página 05| Página 06|Página 07| Página 08|